Como identificar a procedência da carne vendida no açougue

Comprar carne no açougue é um acontecimento bem comum mas nem todo mundo se importa de onde vem o produto. O lugar de origem não é algum assunto administrativo é sim um indicativo de se a carne passou ou não pela inspeção sanitária exigida. É óbvio que o abate clandestino, sem nenhum controle, representa um grande perigo para a saúde humana. Porém existem certos sinais que revelam qualquer anormalidade quando se compra carne, do carimbo de inspeção à cor do corte.
Guia rápido

- Dificuldade
- Fácil
- Tempo
- 5 minutos
- Passos
- 5
Você vai precisar de
- Nota fiscal da compra
- Acesso à embalagem ou etiqueta da carne
- Conhecimento básico dos selos de inspeção
Por que a procedência da carne importa?
A rastreabilidade da carne começa durante o abate até chegar à sua mesa. Caso um animal seja abatido em uma área sob observação, haverá o rastreamento da origem, da dieta, da sanidade e do manejo do animal. Assim haverá uma redução das chances de contaminação por bactérias como a salmonela e evita a transmissão de doenças como a cisticercose.
Não deve haver nenhum caso de abate clandestino de animais porque o sangramento desse animal pode não ter sido feito corretamente e a carne pode ficar diferente na cor e na textura. Também não há garantia de como esse pedaço específico de carne foi manuseado, já que as condições higiênicas não podem ser garantidas.

Selos de inspeção: o que procurar no açougue
A tarefa inicial é a busca do carimbo de inspeção que pode ser municipal, estadual ou federal, dependendo da área abrangida pelo abatedouro. O selo de inspeção geralmente é encontrado ou na embalagem da carne que está sendo vendida em bandejas ou no próprio produto na forma de carimbo feito com tinta própria para alimentos.
A presença desse selo prova a segurança dos alimentos para o consumo de acordo com a sua qualidade testada pelo veterinário. Caso a carne que você comprou não tenha o selo peça ao açougueiro como se pode provar a origem dos alimentos.

Sinais de abate clandestino na carne
- Coloração escura e sanguinolenta, diferente do tom róseo típico de carne inspecionada.
- Textura pegajosa ou excessivamente úmida, que pode indicar falta de refrigeração adequada.
- Odor forte ou desagradável, fora do cheiro característico de carne fresca.
- Presença de hematomas ou manchas escuras, possíveis marcas de maus-tratos no manejo.
- Ausência de carimbo de inspeção na peça ou na embalagem.
Esses sinais podem não ser provas conclusivas do abate ilegal de bovinos, mas ainda assim despertam suspeitas. Se a carne apresentar múltiplos desses indícios, o melhor é não comprá-la.

Desconfie de preços muito baixos
Preços muito abaixo da média do mercado é um dos indicadores mais fortes de produção irregular. O abate ilegal não paga impostos nem arca com os custos de inspeção e refrigeração, o que permite a eles oferecerem produtos a um baixo custo. Porém existem perigos nos preços baixos que não valem a pena.
Antes de comprar, compare o preço do corte em outros açougues ou supermercados da região. Uma diferença de 10% a 20% pode ser promoção legítima. Acima disso, desconfie. Pergunte ao açougueiro o motivo do valor baixo e veja se a resposta é convincente.

Perguntas que você deve fazer ao açougueiro
- De onde vem essa carne? Qual o abatedouro ou frigorífico de origem?
- O estabelecimento tem o certificado de inspeção do produto?
- Qual a data de abate e o prazo de validade?
- Como a carne foi transportada e armazenada até chegar aqui?
- Você pode me mostrar a nota fiscal ou o documento de origem?
Um fornecedor confiável irá responder diretamente a você e mostrar a documentação também. Se você detectar qualquer hesitação ou desvio por parte do açougueiro, é provável que ele não saiba informar a origem. Transparência é parte do serviço.

O que fazer se você suspeitar de irregularidade
- Guarde a nota fiscal e, se possível, fotografe a embalagem e o corte antes de preparar.
- Volte ao estabelecimento o quanto antes, com a nota em mãos, e exija a troca do produto.
- Se o açougue se recusar a resolver, registre uma reclamação no Procon da sua cidade.
- Acione a Vigilância Sanitária municipal para verificar as condições do local.
- Caso exista um órgão estadual de defesa agropecuária (como o Idaf, no Espírito Santo), apresente a denúncia também nesse órgão.
Denunciar não é um exagero; é essa a abordagem para pressionar o mercado a seguir as regras e garantir a proteção de outros consumidores.

Perguntas Frequentes
Como reconhecer carne no açougue?
Observe a cor que deve ser de um rosa ou um vermelho claro, sem nenhum ponto escuro. Sua superfície também deve ser firme e um pouco úmida, sem ter muito líquido. O cheiro deve ser suave, sem odor forte. Porém a chave para identificar a qualidade é o carimbo de inspeção no produto/embalagem.
Como saber se a carne foi feita em laboratório?
No entanto a carne de laboratório é relativamente pouco comum no mercado brasileiro. Toda a carne produzida e vendida por açougueiros vem do abate convencional. Para saber a origem pergunte ao açougueiro sobre o abatedouro e peça um certificado de inspeção.
De onde vem a carne vendida no açougue?
A carne pode ter vindo de matadouros municipais, estaduais ou federais que tenham sido fiscalizados pelo Ministério da Agricultura (SIF) ou pelas secretarias estaduais de agricultura. Isso tem que ser informado pelo açougue se a informação for solicitada.
Qual é a nomenclatura de carnes?
Em qualquer caso há uma nomenclatura variada devido ao corte específico do boi ou à região de onde ele veio. No Brasil, alguns termos como "alcatra", "picanha" e "patinho" podem ser encontrados, mas isso pode mudar de acordo com os diferentes estados do país. O importante é que o açougue identifique o corte e a origem, independentemente do nome usado.
